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| Teatro Sesiminas |
João
Paulo Freitas e Felipe Freitas
O teatro é uma arte que
sobrevive há milênios e com o passar dos tempos sofreu mudanças. Surgiu na
Grécia, no século VI A.C, em festas dionisíacas — homenagem a Dionísio, deus do
vinho, do teatro e da fertilidade — em comédias, tragédias e sátiras. Apesar de
ter sofrido várias transformações, não perdeu sua magia. Autores como Ésquilo e
Sófocles, nos primórdios, deram lugar a dramaturgos como William Shakespeare,
na Idade Moderna, até chegar às manifestações de vanguarda dos dias atuais.
No Brasil, desde a vinda
da família real portuguesa, o teatro sempre esteve entre as principais
manifestações culturais do país. Entre os vários autores brasileiros, de
Martins Pena, de quem até hoje se encena peças como “O Noviço” a Nelson
Rodrigues, o teatro brasileiro se abriu em vertentes múltiplas, que abrigaram a
vanguarda de Oswald de Andrade, o realismo de Plínio Marcos e até mesmo a
maestria de Francisco Buarque de Holanda — “Gota d’Água” (com Paulo Pontes),
“Calabar” (com Ruy Guerra) e “O Grande Circo Místico”.
“Teatro é a melhor forma de expressão do corpo e
alma. Me encanta saber que podemos tocar os outros com uma interpretação”, diz
a atriz e estudante, Jessica Barros, 21, ao falar sobre o que mais a atraiu no
teatro. Mas, ela, assim como Bell Lara, 21, tem a mesma opinião sobre as
dificuldades que, dentro ou fora de cena, esperam os novos atores.
— A entrada para este mundo é bem complicada; na
maioria das vezes, tem que se conhecer alguém, ou lutar bastante para se
destacar, mas, se você é talentoso, com certeza pode passar o tempo que for que
irá conseguir seus objetivos — afirma Bell Lara, que estuda teatro, e sonha
brilhar nos palcos.
Há quem procure atividades relativas ao teatro
para se desinibir, mas, o ator de verdade, com o tempo vai se apaixonando pelo
palco e não quer sair dele nunca mais. A constatação é de Bell Lara, e se
baseia numa experiência muito pessoal.
— No início, era mais descontração, mas depois me
apaixonei e resolvi estudar profundamente.
“Quando se vai ao teatro, é tudo tão real, tão
perto de você que, às vezes, achamos que fazemos parte da história,” reconhece
Jéssica, ao comentar sobre a magia do teatro. Rafael Mazzi, 31, um dos atores
da peça “O marido da minha mulher”, fala sobre a adrenalina que reina nas
coxias (o espaço do teatro que antecede a entrada no palco) antes de cada
espetáculo.
— O teatro é mágico porque se faz ao vivo. As
pessoas sentem, choram, riem, aplaudem. Você faz um trabalho de qualidade e tem
o retorno imediato de quem assiste. O maior barato são o frio na barriga, as
preparações, os ensaios, a química com a produção e elenco. Tudo isso é
prazeroso.
Dessa magia também não escapou a atriz Bella
Marcatti, que já fez a peças como “O marido da minha mulher”, “Dez maneiras
incríveis de destruir seu casamento” e o espetáculo “Improcedente”, entre
outras. Para ela, “o contato direto com o público e a resposta imediata são um
momento único: você sabe no mesmo momento se está agradando a plateia ou não."
Espetáculos de improviso, como “Improvável”
(do Grupo Os Barbixas) e ”Improcedente” (de Uma Companhia), estão entre os que
vêm ganhando espaço hoje em dia, pois geralmente são controlados pela própria
plateia. Por meio de jogos de improvisação, os atores devem fazer uma cena
sugerida pelo público. Há um tipo de interação que está muito
presente em peças nos dias de hoje, e mostra que, o teatro incorporou novos
elementos que o fortalecem mais.
No meio do caminho tinha uma pedra, disse certa
vez um mineiro famoso, que uma vez também percorreu o caminho que, das
montanhas de Minas, nos leva ao litoral e às promessas de fama e do sucesso no
Rio de Janeiro. Não é pequeno o número de atores mineiros que procurou a fama
nos palcos cariocas e paulistas. Mas, nem todos, como o ancestral Lima Duarte,
Lady Francisco, José Mayer, Jonas Bloch, Deborah Bloch ou Selton Mello e os
novos Débora Falabella, Daniel Oliveira e a periguete Isis Valverde, atingiram
o sucesso.
E o Brasil dá condições para que o ator sobreviva
do teatro? “Sim, mas tem que dar sorte
de estar numa companhia boa, num projeto bacana para a Lei Federal de
Incentivo, que consiga captar a grana e agradar o público. Não é impossível,
mas dá pra fazer. Ou então, seja um ator global e vá para os palcos. Aí
vai ter a certeza de casa cheia em qualquer lugar”, ironiza Bella Marcatti.
Já para Rafael Mazzi, conseguir sobreviver de
teatro depende do ator. “Na verdade é o artista que tem de saber se tem
condições para trabalhar. Se ele possui qualidades, estuda, empenha e
pesquisa”, define. O que leva os mineiros a buscarem tanto o caminho para
outros palcos? Não há, em Belo Horizonte, o mesmo interesse pelo teatro. A
alegação é de Bella Marcatti, que hoje, tenta um lugar ao sol na cena paulista
e fala com a autoridade de quem vivenciou os dois lados da moeda.
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| Bell Lara |
No Rio de Janeiro, o teatro é levado a sério como
uma profissão do dia a dia. A afirmação é de Bell Lara, que optou por fazer um
novo curso de teatro na Cidade Maravilhosa, e percebeu que, lá, as peças eram
elaboradas com mais seriedade, e por isso, ficavam mais tempo em cartaz. “Em Belo
Horizonte, uma temporada, na maioria das escolas cênicas, dura três dias; lá,
um mês”. Mas, a capital mineira em breve poderá se equiparar aos grandes
centros. “Aos poucos, cursos técnicos e workshops ajudam a vivenciar o
crescimento,” é o que afirma o otimista Rafael Mazzi. Hoje, Jessica Barros
espera que a capital invista na cultura. “Criar mais centros de arte onde haja
cursos e apresentações e levar peças para as escolas, afinal, teatro é a arte
que serve não só para atores, mas para a vida”.





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