quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Há 48 anos reabilitando crianças


                                                                                                                                                      Felipe Freitas                                                         
Portadores com paralisia cerebral e outras síndromes são tratadas na AMR.
                                                                                                                                                                          
    A associação mineira de reabilitação (AMR) foi criada pelo médico Márcio de Lima Castro, que cuidava e tratava de crianças com paralisia. Desde 1964, a instituição cuida de crianças e adolescentes de zero a 17 anos com deficiência física, provocada pela paralisia cerebral e outras síndromes. A instituição, que fica no bairro Mangabeiras, região centro-sul de Belo Horizonte, realiza um trabalho gratuito e atende mensalmente 467 crianças carentes. Especialistas realizam um trabalho junto às crianças e adolescentes para que elas possam desenvolver uma capacidade maior de locomoção.

    As crianças são atendidas gratuitamente em diversas áreas, como a de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, ortopedia, neuropediatria, odontologia e o serviço social. Quem faz o tratamento na AMR recebe gratuitamente os aparelhos necessários para a melhoria de sua reabilitação. A dona de casa Luciene Rodrigues dona de casa sabe da importância de um bom tratamento. Luciene é mãe de Lucas Rodrigues, de cinco anos que tem paralisia hepática e desde março de 2011 é atendido na instituição. De acordo com Luciene, o tratamento ajudou no seu desenvolvimento motor e psicológico do menino. “Lucas só escorregava, agora já consegue se vestir e até tira o sapato sozinho; na escola, ele consegue aprender e acompanhar os seus colegas normalmente”.

    Há seis anos, Maria de Lourdes também acompanha a evolução e o desenvolvimento de seu filho Marcos de Oliveira, hoje com sete anos. Ele nasceu com má formação do cérebro, e isso atrapalhou o desenvolvimento motor, dificultando os seus movimentos.  Mas o tratamento realizado durante estes anos o ajudou a se locomover melhor e até frequentar a escola como uma criança normal. Lourdes deixou a sua vida profissional para se dedicar inteiramente aos cuidados de seu filho. Hoje, aproveita o tempo que leva Marcos para realizar o tratamento na Associação Mineira de Reabilitação para bordar e ganhar um dinheiro extra.

    De acordo com a coordenadora clínica, Patrícia Crepaldi, o desenvolvimento de cada paciente depende da área lesionada e do estado de cada lesão. Em casos mais graves, o tratamento é lento e demanda mais tempo para que haja resultado satisfatório. A instituição conta com o trabalho da oficina ortopédica que produz órteses, coletes, calçados, mola, splint, cadeiras de rodas, andadores e outros equipamentos que são vendidos e contribuem para a renda instituição. Os aparelhos ajudam no desenvolvimento e diminuem a dificuldade das crianças de se desenvolverem melhor. Além disso, disponibiliza tutores e oferece serviço de banho.

    A instituição conta com  116 funcionários fixos e também com o trabalho voluntário de algumas pessoas que contribuem com o seu tempo para ajudar as crianças e adolescentes. A AMR consegue se manter através de doações de pessoas físicas e jurídicas que contribuem com dinheiro ou doações de materiais. Outra fonte de renda é o aluguel de um estacionamento que doa toda a renda adquirida no mês para a instituição. A loja de produtos artesanais que fica dentro da Associação Mineira de Reabilitação também repassa toda a sua renda adquirida com a venda de artesanato para a instituição. Uma empresa de telemarketing foi contratada para pedir doações para a instituição às pessoas, que podem encaminhar doações por meio de descontos nas contas de água, luz ou boleto bancário.

    Para fazer parte da AMR e conseguir o tratamento gratuito, as famílias precisam passar por uma triagem que é feita pelas assistentes sociais da instituição. Hoje, a Associação atende famílias de Belo Horizonte e região metropolitana. Três assistentes sociais trabalham na instituição e ajudam nesta triagem. De acordo com a assistente social Simone Moura, as famílias que tiverem crianças portadoras de síndromes e quiserem fazer o tratamento na AMR precisam fazer um cadastro e aguardar uma vaga, além de comprovar que a família não tem condições financeiras de arcar com o tratamento. Fraldas, cadeiras, cestas básicas e o pagamento de exames de alto custo são disponibilizados paras as famílias das crianças que fazem tratamento gratuitamente na AMR. A instituição, sem fins lucrativos, ajuda crianças e seus familiares a ter uma vida melhor e de qualidade com os tratamentos que são disponibilizados.


Nenhum comentário:

Postar um comentário