Felipe Freitas
Portadores
com paralisia cerebral e outras síndromes são tratadas na AMR.
A associação mineira de reabilitação (AMR)
foi criada pelo médico Márcio de Lima Castro, que cuidava e tratava de crianças
com paralisia. Desde 1964, a instituição cuida de crianças e adolescentes de zero
a 17 anos com deficiência física, provocada pela paralisia cerebral e outras síndromes.
A instituição, que fica no bairro Mangabeiras, região centro-sul de Belo
Horizonte, realiza um trabalho gratuito e atende mensalmente 467 crianças
carentes. Especialistas realizam um trabalho junto às crianças e adolescentes
para que elas possam desenvolver uma capacidade maior de locomoção.
As crianças são atendidas gratuitamente em
diversas áreas, como a de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia,
ortopedia, neuropediatria, odontologia e o serviço social. Quem faz o
tratamento na AMR recebe gratuitamente os aparelhos necessários para a melhoria
de sua reabilitação. A dona de casa Luciene Rodrigues dona de casa sabe da
importância de um bom tratamento. Luciene é mãe de Lucas Rodrigues, de cinco
anos que tem paralisia hepática e desde março de 2011 é atendido na
instituição. De acordo com Luciene, o tratamento ajudou no seu desenvolvimento
motor e psicológico do menino. “Lucas só escorregava, agora já consegue se
vestir e até tira o sapato sozinho; na escola, ele consegue aprender e acompanhar
os seus colegas normalmente”.
Há seis anos, Maria de Lourdes também acompanha
a evolução e o desenvolvimento de seu filho Marcos de Oliveira, hoje com sete anos.
Ele nasceu com má formação do cérebro, e isso atrapalhou o desenvolvimento motor,
dificultando os seus movimentos. Mas o
tratamento realizado durante estes anos o ajudou a se locomover melhor e até
frequentar a escola como uma criança normal. Lourdes deixou a sua vida
profissional para se dedicar inteiramente aos cuidados de seu filho. Hoje,
aproveita o tempo que leva Marcos para realizar o tratamento na Associação
Mineira de Reabilitação para bordar e ganhar um dinheiro extra.
De acordo com a coordenadora clínica, Patrícia
Crepaldi, o desenvolvimento de cada paciente depende da área lesionada e do
estado de cada lesão. Em casos mais graves, o tratamento é lento e demanda mais
tempo para que haja resultado satisfatório. A instituição conta com o trabalho
da oficina ortopédica que produz órteses, coletes, calçados, mola, splint, cadeiras
de rodas, andadores e outros equipamentos que são vendidos e contribuem para a
renda instituição. Os aparelhos ajudam no desenvolvimento e diminuem a
dificuldade das crianças de se desenvolverem melhor. Além disso, disponibiliza
tutores e oferece serviço de banho.
A instituição conta com 116 funcionários fixos e também com o trabalho
voluntário de algumas pessoas que contribuem com o seu tempo para ajudar as
crianças e adolescentes. A AMR consegue se manter através de doações de pessoas
físicas e jurídicas que contribuem com dinheiro ou doações de materiais. Outra
fonte de renda é o aluguel de um estacionamento que doa toda a renda adquirida
no mês para a instituição. A loja de produtos artesanais que fica dentro da
Associação Mineira de Reabilitação também repassa toda a sua renda adquirida
com a venda de artesanato para a instituição. Uma empresa de telemarketing foi
contratada para pedir doações para a instituição às pessoas, que podem
encaminhar doações por meio de descontos nas contas de água, luz ou boleto
bancário.
Para fazer parte da AMR e conseguir o
tratamento gratuito, as famílias precisam passar por uma triagem que é feita
pelas assistentes sociais da instituição. Hoje, a Associação atende famílias de
Belo Horizonte e região metropolitana. Três assistentes sociais trabalham na instituição
e ajudam nesta triagem. De acordo com a assistente social Simone Moura, as
famílias que tiverem crianças portadoras de síndromes e quiserem fazer o
tratamento na AMR precisam fazer um cadastro e aguardar uma vaga, além de
comprovar que a família não tem condições financeiras de arcar com o tratamento.
Fraldas, cadeiras, cestas básicas e o pagamento de exames de alto custo são
disponibilizados paras as famílias das crianças que fazem tratamento
gratuitamente na AMR. A instituição, sem fins lucrativos, ajuda crianças e seus
familiares a ter uma vida melhor e de qualidade com os tratamentos que são
disponibilizados.
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