Construída para melhorar o trânsito da capital, a via divide opiniões entre comerciantes e moradores da região.
João Paulo Freitas
A ciclovia veio para se tornar um grande avanço em nossa cidade. Porém, já faz algum tempo que a via tem se tornado alvo de críticas por parte de alguns comerciantes da área. Eles alegam um excesso de descuido da BHTRANS em sua manutenção e também o desrespeito dos motoristas que estacionam no local. Por isso, o que era para ser um avanço, em muitas opiniões, está se transformando em uma “dor de cabeça” na região.
Segundo a comerciante Vandalci de Avelar, a rota foi criada somente para atrapalhar o trânsito. ”As pessoas não estão utilizando a ciclovia; ela está sendo usada para fazer caminhada”, denuncia. Para ela, como a pista ficou mais curta, sempre ocorrem congestionamentos. “Para o ciclismo mesmo, não resolveu nada”.
Já o ciclista Ronaldo Ribeiro, morador da região, considera um grande presente a chegada da ciclovia. Porém, o desrespeito dos motoristas e a má conservação atrapalham seu uso, afastando os ciclistas. “Os motoristas não respeitam a área destinada ao estacionamento; muitos comerciantes jogam lixo, cacos de vidro, entre outras coisas”, reclama Ronaldo, ressalvando que, sempre que pode, faz uma limpeza. “Acho que todos deveriam zelar pela via, principalmente a BHTrans, que precisa fazer vistorias no local. Infelizmente, nunca os vi por aqui”, afirma.
FALTA FISCALIZAÇÃO
Em nota oficial, a Assessoria de Comunicação e Marketing da BHTrans disse que está prevista para maio deste ano a manutenção da pintura vermelha da ciclovia junto às interseções e também, uma nova sinalização horizontal em toda a extensão da Américo Vespúcio após o seu recapeamento asfáltico.
Já em relação ao desrespeito dos carros, A BHTrans informa que, desde dezembro de 2009, a entidade está impedida de multar, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e isso tem limitado suas ações para garantir o respeito à legislação de trânsito. No entanto, a empresa continua a exercer as demais atividades que o ordenamento jurídico lhe atribui, sobretudo as relativas a operações de trânsito, controle do tráfego viário e dos serviços de transporte público. Atualmente, as duas instituições habilitadas a preencher atos de infração de trânsito são a Polícia Militar e a Guarda Municipal, que segundo José Milton Gouveia, comerciante que trabalha na área, dificilmente comparecem na região. José Milton disse também que a PBH deveria fazer mais campanhas para incentivar os ciclistas. “Até hoje, acho que não vi nem 15 pessoas pedalando por aqui”, disse.
BOX PEDALA BH
A ciclovia Américo Vespúcio foi inaugurada pela PBH no dia 22 de setembro de 2011, em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro. Segundo a BHTrans, esta foi a terceira ciclovia inaugurada na cidade, sendo investidos nela, ao todo, R$ 300 mil para a implantação da rota.
A via possui dois quilômetros de extensão e foi criada com o intuito de integrar a bicicleta ao cotidiano da população, descongestionando o trânsito, e diminuindo o efeito da poluição dos carros. A iniciativa desse projeto veio do programa Pedala BH criado pela Prefeitura, que pretende implantar 365 km de ciclovias na cidade até o ano de 2020.








