quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Por dentro das celas

O depoimento de um agente penitenciário que conhece realmente o sistema


                                           Armando Mariano, Felipe Freitas, João Paulo Freitas e Rafael Phillipe


Uma entrevista realizada na Central de Produção Jornalística (CPJ), no dia 29 de agosto de 2012, com o agente penitenciário Roland Lana, no qual, foi mostrada sua experiência de 20 anos na profissão e relatou parte dos seus momentos vividos na penitenciária Nelson Hungria, localizada em Contagem. Foram esclarecidas as principais dúvidas sobre o sistema prisional em nosso país, que gera bastante polêmica. 

Entre os assuntos, dizer que não deveriam existir prisões, e sim, melhorar a educação, foi um dos pontos altos. O agente quis demonstrar sua insatisfação com o atual momento social vivido no país. A prisão não seria uma solução e, muito menos, uma maneira de redenção dos presos. Se o governo investisse mais na educação muitos problemas seriam amenizados, pois segundo ele, o estudo é a solução. 

Roland já foi feito refém e como muitas pessoas dizem que se passa um filme antes da morte, com ele não foi diferente. “Pensei na minha família e no churrasco que tínhamos combinado para mais tarde. O medo de não estar lá foi grande.” Apesar de todas essas circunstâncias, ele não se arrepende de ter escolhido essa carreira e diz até que é uma profissão boa, caso alguém pense em se tornar um agente penitenciário. 

Também revelou que presos já ofereceram dinheiro para que ele facilitasse possíveis fugas. Mesmo assim, não aceitou o suborno e sofreu ameaças de morte. Ao ser questionado sobre a pena de morte, Roland se posicionou contrário a essa medida, pois afirma que caso fosse aprovada, só morreriam pessoas sem alto poder aquisitivo. 

Ao longo da entrevista pode-se entender que o sistema prisional é falho e necessita de muitas coisas para melhorar. As prisões teriam que reeducar os presos, dando mais oportunidades de trabalho lá dentro, e não deixando-os revoltados com tamanha precariedade e falta de cuidado. Mesmo tendo cometido crimes, todos merecem chance de regeneração e respeito.

O povo fala

Redução do IPI

O preço de dois carros

 “Os juros são altos e por parcelar em várias vezes, o consumidor acaba pagando o preço de dois carros. As pessoas estão adquirindo carros pela facilidade de compra, pois quem não tem poder aquisitivo acaba comprando pelo baixo valor das prestações. O governo deve melhorar o transporte público, as estradas e avenidas. Essas melhorias desafogariam o trânsito nos grandes centros urbanos. O governo também deve investir mais na malha metroviária, porque a que está sendo construída não será suficiente.”

Davi Pereira Martins, 30 anos, porteiro.


 Bom para alguns e ruim para outros

“É bom e ruim ao mesmo tempo, pois com a facilidade de compra, gerando o excesso de carros, o trânsito fica cada vez mais caótico. A redução do IPI é ótima para os vendedores, mas para os revendedores de seminovos é pior porque desvaloriza muito o carro. Quem compra um veículo zero tem um grande desconto no preço à vista. Melhorar o transporte público não adianta, porque quantidade não significa qualidade e a malha metroviária não resolveria totalmente o problema, mas desafogaria um pouco o trânsito.”

Glauber Coelho de Araújo, 24 anos, representante de vendas.



 Um grande disfarce

 “A redução de IPI na verdade é um disfarce. O governo reduz esta taxa para receber de outras maneiras, pois se a população não compra carro, não há gastos com peças, combustível e manutenção. As pessoas estão comprando veículos pela facilidade de adquirir, achando que é só pagar uma prestação não pensando nos futuros gastos. A no  transporte não ocorre, porque o governo faz as obras onde julga importante para melhoria de sua própria imagem.”

Gilmar Eustáquio Porto, 57 anos, autônomo.


 Favorecendo a todos

“A redução favorece principalmente aqueles que estão com pouco dinheiro para investir. As pessoas estão comprando pela facilidade e pela necessidade de adquirir um carro. Quem tem um poder aquisitivo baixo compra pela facilidade e um empreendedor compra para aproveitar o preço. O ideal é melhorar o transporte público para desobstruir o trânsito e dar maior conforto para a população.”

Uriel Barreto de Carvalho, 24anos, publicitário.